T de ...tchau!
(...)
- Então quer dizer que a gente nunca mais vai se ver? - indaga ele, calmamente, colocando suas mãos em meus ombros.
- É, acho que sim. Graças à Divina Providência eu nunca mais vou ter que olhar pra sua cara - respondo rispidamente, tratando de me desvencilhar de tão indignas patas e de tão falsas estimas.
- Mas...
- Mas o quê? - protesto irritado.
- Por que tanta aspereza? - rebate ele, dissimulando não saber o motivo de minha gana. Uma lágrima cai dos seus olhos. - O que eu te fiz?
- Saia da minha frente, por favor. Saia agora!
- Mas... mas...
Ele se vira, e começa a dirigir-se para a portinhola de saída, cabisbaixo. De longe diviso um chinelo, e acredito ser o direito. Aviso-o:
- Ei, pegue o seu chinelo. Esqueceu-o aqui no chão.
- Ah, obrigado. - diz ele, quase esboçando um sorriso. Pega o chinelo e olha-me nos olhos, mas eu não retribuo o olhar. Aponto-lhe a porta da forma mais despótica possível.
- Obrigado nada. Agora caia o fora daqui! Não vê que é uma presença não desejada?
- ...
- Espero nunca mais te ver na vida. - desabafo, prestes a chorar.
- Tchau, então. Até nunca mais. - sua voz rouca, grave e um tanto melosa causa-me enjôos.
- ...... - mordo a língua e olho para o céu. O meu silêncio sintetiza um período de mais de dois anos de indignação e resignação.
E ele se vai, cambaleando silenciosamente por entre as árvores e becos. Eu fecho os olhos e, numa última torrente de raiva e desespero, sussurro:
- Desgraçado!


2 Comments:
"-Desgraçado!"
Muito perverso e triste, mas belo.
eu estava lendo os posts novamente. e contrariando a opinião global, esse é um dos que mais me agradam..
Hélio.
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