Heliópolis

Uma distração no seu fim de tarde, um remédio para a sua diária falta do que fazer, uma exceção dentre todos os outros blogs - por um lado, muitíssimo pouco criativo, mas por outro, ahá!, cheio de uma humildade contagiante e uma ironia sem igual (au, au).

27.9.06

De livros

Porque existem dias tristes e dias tristes.

Alguma alma caridosa dispõe de soma em excesso?
Alguma alma caridosa disposta a compartilhar tão adorável e, nesses tempos, tão necessária fuga?

Helmholtz e Bernard, queimem no fogo do bom-senso.
Ardam nas chamas quentes da razão.
Afoguem-se nos prantos do gás nobre.

Porque vocês, afinal, são desordeiros da perfeição.

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Aos entendidos, apreciem a minha estupidez.

26.9.06

Preito amoroso pt.1

Ai se pudesses ver! Ai se pudesses ouvir, sentir, entender os meus monólogos a respeito de ti, rainha soberana que, vigorosa, paira acima das nossas razões e sentidos!

Dama formosa, anjo perfeito, tua voz me estremece a alma! Teu silêncio rouba minha sanidade! Teu silêncio, teu silêncio! Céus, admiro-te tanto, impecável deusa!

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25.9.06

Ronc, Roonc, Ronc!

Mal havia terminado uma pífia prova de História quando, sem aviso precedente ou advertência prévia, minha mimosa barriga, tão suscetível a adversidades e maus tratos, clamou por comida quente e bem recheada. Roonc! Roonc! Olhares de reprovação, junto de risinhos contidos, povoaram o meu breve horizonte. Roonc! Céus, e ainda não passavam das nove! Minhas infindáveis tentativas de domar minha fome foram em vão, em vão! Tardes sem Bono e manhãs sem bolo não me fizeram uma pessoa mais forte. Um banquete régio não me saciaria!

Em desespero crescente, adentrei na cantina, no bom e caro ambiente de trabalho de humildes funcionários em azul. Lado a lado, saudaram-me com expressões que iam do mais alto bom nível – “Ôah, firmeza?” – ao mais baixo e incrédulo nível das ofensas diretas – “Fala aí, viado, beleza?”.
Após ritos capitalistas que, se me permitem, oculto nessas linhas, dei a primeira mordida na massa quente e apetitosa do pão-de-queijo. Ah! Bem-aventurados aqueles que, numa casualidade divina ou obstinação convicta, inventaram o pão-de-queijo! Que minhas lágrimas (custoso pranto!) de gratidão lhes sirvam de agradecimento e/ou reconhecimento.

E, eis que por volta da quinta mordida, um sujeito afeminado e paradoxalmente muito barbado dá-me um soco nas costelas, de leve. Viro-me e ele me chama, simplesmente, de viado. Indignado, tento me defender, chamando-o de viadzinho. Ele me encara de alto a baixo e, perturbado com a afronta tão inesperada, vai para a cozinha prometendo revanche.

Nisso o Mario Bros e o Oliveira chegam em mim, ao mesmo tempo, e me perguntam, como se ainda não soubessem – pobres palermos -, se o barbado afeminado, mais conhecido como Erivaldo, era viado. Eu dou de ombros e forço um risinho simpático. O Oliveira abre os olhos até o máximo do humanamente possível e me pergunta, aos sussurros : “Vocês não tem um caso não, né?”. Eu dou outra – outra! – risada sem graça e digo que não, que não. Não, Po***! E vão para a cozinha, após o objetivo de encher-me a paciência ter sido cumprido com êxitos louváveis – me arrancaram sorrisos contagiantes, pois.

Enquanto mastigava a sexta mordida da deleitável comida dos deuses, quem me aparece? Chutem, chutem e chutem; não acertarão, vos digo! Por detrás do balcão, como que num passe de mágica, aparece o saudoso Seu Dionísio, tio do ricaaaço Celso. E o que ele vem me dizer? Ah, nada mais do que o provável, caros moçoilos! “Olha, esses caras são ‘tudo’ viado!”. São nessas horas que digo a mim mesmo, num solilóquio lastimoso, que Deus realmente não existe.

Onde já se viu pessoas adultas e maduras só falarem a respeito disso? Céus, é viado pra cá, viado pra lá. Viado em cima, viado embaixo. Ele é viado, você é viado. Eles são viados. Viado, viado, viado...
Sabe, às vezes, com tanta obsessão, chego a pensar que eles realmente são todos um bando de viados! Viadzinhos!

Coesos sejamos! Fortemente relutemos!
Alguém, por favor, vai comprar meu pão-de-queijo, porque eu estou esfomeado!
Voltar lá, nem pensar! Bando de loucos paranóicos!


Certo, certo. Seja forte, caro leitor. Assim termina, de modo brusco e sem criatividade, essa epopéia de trezentas folhas. Seja forte. Não chore em cima do teclado. Seja forte, e esmurre-me à vontade quando me avistar. É sério. E perdão, realmente peço perdão pela grande quantidade de palavrões proferidos. Senhoritas, perdoem-me.

23.9.06

Nasceu

Tenho agora as tão desejadas tardes livres. Depois de um semestre de exaustivas e inúteis aulas vespertinas de ... (argh, isso talvez seja assunto para um outro post) , posso finalmente estrear este que será sem dúvida o mais balburdioso e odiado blog da rua D. e adjacências.

Muito bem-vindo. Muito bem-vindo. Curiosos de plantão e/ou admiradores da boa e singela literatura de fundo de quintal, sejam todos bem-vindos. Acomodem-se! Abusem do vinho e dos risoles de presunto e queijo, porque os próximos posts - este não conta, como você bem vê - chegarão, em ritmo frenético e contínuo, aí no seu lar muito em breve. Putz-Putz. (I may be paranoid, but not an android.)

Não quero vos enganar, pois. Não verás aqui nada titanicamente bem escrito, e tampouco lerás algo que transformará para sempre a sua concepção de mundo - afinal, sou apenas mais um garoto imberbe e tímido aspirante a escritor. Se você quer, por ora, um sábio conselho, vá ler Machado ou Veríssimo agora mesmo. Vai! Vai queimar as obras tão bem-sucedidas e igualmente lastimáveis do Pauno Coelho. Vai! Vai!


Boa-sorte a mim. Paciência a você, caro amigo.
Troquem os óculos e dêem água nas plantas: a jornada começou.

(Aqui, aqui! Vai, vai! Quem não escreve, enfim, melhor do que aquele barbado aspirante a filósofo?)