Avenida Niévski, primeira à esquerda; falar com Fierfítchkin
Eu tenho que parar de escrever posts pessoais e particulares e reservados, restritos à compreensão de duas ou três pessoas, e quiçá de ninguém.
Droga.
Миха́йлович!
Uma distração no seu fim de tarde, um remédio para a sua diária falta do que fazer, uma exceção dentre todos os outros blogs - por um lado, muitíssimo pouco criativo, mas por outro, ahá!, cheio de uma humildade contagiante e uma ironia sem igual (au, au).
Eu tenho que parar de escrever posts pessoais e particulares e reservados, restritos à compreensão de duas ou três pessoas, e quiçá de ninguém.
Quanto mais escrevo nesse blog mais me convenço de que, inegavelmente, estou a uma distância colossal de nomes como Luis Fernando Veríssimo, Walcyr Carrasco, Ivan Angelo (deus), Lya Luft, João Ubaldo Ribeiro e quiçá Diogo Mainardi. Falta-me criatividade e desenvoltura, isso é bem aparente. E, ademais, o meu problema-mor de não conseguir criar orações decentes nem de saber escolher as palavras certas é irremediável e nunca será sanado.
Procurei por entre os galhos nas copas d'árvores, busquei nos vales obscuros e nos abismos d'água, por entre os corais e embarcações naufragadas. Vistoriei embaixo de pedras que viram nascer o mundo, vasculhei o passado em livros e periódicos e perguntei a decrépitos anciãos, portadores da sabedoria acumulada de uma vida inteira. Mas não achei. Não consegui achar uma representação, uma demonstração sequer, nenhum objeto ou idéia ou palavra ou momento ou visão que substituisse e representasse melhor a idéia que três palavras rabiscadas no verso de uma lição de matemática transmitiam.
(...)
ele teceu uma torre, para alcançar a Lua. Saiu de seu mundo para alcançá-la, e quando estava bem perto, a Lua, com um olhar, fez desmoronar o pobre edifício e ele caiu de cara no chão.
Entrava na sua apertada alcova, sob um fino e elegante chuvisco outonal quando, de forma paulatina e sedutora, o encapuzado atroz sem rosto fechava as escarlates cortinas do derradeiro dia, e o gorjear dos pássaros se transfigurava em estrelas mudas, e todas as cores do mundo viravam uma só.